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Inefável



Quantas palavras...
Vivas, inexatas,
encontram-se no espaço
De uma linha qualquer?

Quanto silêncio...
Que há em um momento,
para o barulho do vento
poder recriar?

Quantos olhares...
Cabem no corpo,
e dizem, no entanto
bem mais que o falar?

Quanta surdez...
Há no corpo presente,
quando os olhos se fecham
para o mundo inspirar!

Quantos pensamentos...
Trocam-se, cruzam-se,
nesse mundo gigante
que conseguimos criar?

E a inspiração?
Como se conta
o quanto se cabe
em entrelinhas
de um pensamento?


ana tereza barboza

ana tereza barboza
Grafito y bordado en tela. 130 x 102 cm (2011)