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10 de fevereiro

projeto.

prever a possibilidade de mudança
como atualizar uma lista de músicas
sem alterar a ordem das lembranças
dispostas conforme a data da última alteração.

interlúdio.

ouvi gradualmente
escapar dos corpos
a comunicação
capaz de engatar
futuros.

revisão.

acionar a recuperação das coisas ditas
como corrigir nas horas de um ano atrás
o abraço dado torto no amor
e a palavra,
a palavra grifada no quarto das más interpretações.

na impossibilidade:

Propus pensar nos mecanismos da palavra
pra melhor definição do dia,
e o dia me cala a boca de grito
pra eu gritar devagarinho
na morada-poesia.

Mas como aniquilar a tirania do veneno
distribuido na hora do desespero das bocas,
a indiferença do impacto dos corpos na avenida,
a deliberação alheia sobre a extensão dos passeios,
a mágoa que se faz do silêncio cativa,
da retrospectiva,
de tudo que é
imagem fixada
no muro da gente
e que impõe:
lacre às casas
lacre às gentes?

vermelha

quis até ver
esse foco nos meus olhos

e esses olhos:
uma interdição pulmonar,
senão um cansaço
          uma desfibrilação
          uma sujeição maior ao que me peca

uma boca ansiosa
ambiciona sussurros
mas quieta interpõe
soluço de constranger
catedrais

ais

me movo à mente e minto a cara –
disfarçaria melhor com óculos,
mas o que tenho não passa
de uma capa de livro vermelha
a rua vazia
a casa maior
um som largo de cortina em dança
uma cama arquitetada pelas ondulações do vento

distribuo os papéis aos dedos e os dedos rejeitam
o formato das margens o espaçamento das linhas
a norma contraceptiva do verbo cativo
até a precisão dos metros quadrados
que o meu corpo ocupa
não entra na conta da tarde

só o sombrear silencioso dos olhos
rastreia no avesso do corpo
a forma livre que almejo em verso

a casa maior a cada passo adentro
e nada tenho eu desse espaço de fora.

que pisca

olhos
em estado de artificio
na face assim
como um vidro
fixos são
seita oculta
que a natureza maquinal avulta
a cada outdoor que pisca.

Vazio

Eu posso.
Eu disfarço a face do tédio
Eu refaço na boca a palavra
 – que não sai.
A palavra.
Mastigada no silêncio reclama
ainda o tempo de contar vazios.

Eu espero
no disfarçe do tédio, o tempo.
Pra colher do silêncio da alma
o silêncio da causa
e remendar vazios.

Eu vazio.
No remendo refaço o tédio
e no espaço de tempo espero
uma palavra pra assassinar
silêncios.




Frases em mim - 
palavras acolhidas para corar
a face fria da barbárie
já não funcionam.

O mistério que ilumina
a face das coisas sagradas
e promove o silêncio
na boca do mundo
se despe.

E sem matéria-prima
entre fronteiras,
recolho-me nua,
no nada.

ana tereza barboza

ana tereza barboza
Grafito y bordado en tela. 130 x 102 cm (2011)